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02/02/2010 11:13
Consciência no trânsito



Parece que a educação do motorista brasileiro para o trânsito não está mais passando por seu bolso. A multa, que tinha o poder de educar pela intimidação – como uma grande palmatória pairando sobre a sala de aula – dá a impressão de estar perdendo a força didática. Percebe-se um certo sinal de enfraquecimento na simples análise de alguns números de 2009: os fotossensores em Florianópolis registraram um aumento superior a 70% no número de infrações por ultrapassagem de sinal, em relação ao ano anterior. Ora, o risco de uma multa de 190 reais não inibe os infratores?
Se a frota da Capital cresceu apenas 7,12% no mesmo período, como explicar que o aumento do número de multas tenha sido dez vezes maior que o crescimento do número de veículos? Um provável incremento operacional – mais equipamentos de fiscalização – seria uma justificativa válida para o “fenômeno”, não fosse desmentida por um contraponto, também numérico: os radares registraram diminuição de 18% no número de veículos que ultrapassaram o limite de velocidade em até 20%. Se mais sensores captam mais infrações, pela lógica todas as infrações deveriam ter igualmente mais registros, correto?
É claro que nem todos os que ultrapassam o sinal o fazem ostensivamente. Há os desatentos e há os que tentam aproveitar a última réstia de luz amarela do semáforo, acelerando perigosamente. Mas a falta de intenção explícita de transgredir não torna a prática menos arriscada. Cruzar o sinal vermelho é sempre imprudente. Por isso é que se tenta, com a punição, conter os transgressores, os mais afoitos, os menos atentos. Se a punição não está mais coibindo o comportamento temerário de uns, no entanto, o que fazer para salvaguardar a vida de todos?
Conscientização é a palavra que primeiro nos vem à cabeça. Pode parecer somente uma palavra, mas ela traduz o caminho: a educação é a única saída. Se desembolsar 190 reais e correr o risco de ter a carteira suspensa não comovem os infratores, a educação continuada, incessante, incansável pode trazer respostas alentadoras à questão do trânsito. Só a consciência de risco e de cidadania pode suprir a necessidade de conhecer os próprios limites que falta a muitos infratores.
É nesse sentido que campanhas como a da RIC-Record são sempre bem-vindas. A força da mídia televisiva e a hospitalidade que a aguarda em todos os lares são prenúncios de que sua mensagem não cairá no vazio. De forma bem-humorada, mas nem por isso menos séria, a abordagem do problema contribui para a fixação da proposta: não é por causa da multa que não se deve ultrapassar o sinal fechado, mas porque isso representa um risco de vida. Da mesma forma que acontece com a falta do cinto de segurança (cujas autuações cresceram 50,82%) e o uso do celular ao volante (crescimento de 19,98%). A consciência do perigo deve ser maior do que o medo do prejuízo causado pela multa.
E à consciência só se chega através da educação. A uma população educada, a multa se torna dispensável.

Vanderlei Olívio Rosso, Diretor-Geral do Detran/SC

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27/01/2010 08:28
Bom exemplo

O diretor-geral do Detran do Espírito Santo, Paulo Lemos Barbosa, deixou o cargo nesta segunda-feira, 25 de janeiro, após ter o direito de dirigir suspenso devido a oito multas de trânsito que somavam 35 pontos na carteira de habilitação.
Lemos decidiu pedir o afastamento depois que o Conselho Estadual de Ética, ligado ao governo do Estado, sugeriu sua exoneração. Em reunião, os sete conselheiros votaram pela saída do diretor. Em nota, o conselho considerou as atitudes "incompatíveis com a ética pública e o exercício do cargo para o qual foi nomeado, já que, publicamente, ele criticou o sistema que dirigia e pelo qual deveria zelar".
Segundo o governo do Estado, Lemos disse que algumas multas haviam sido registradas em seu nome devido a um erro no sistema do Detran, mas não especificou o problema.
As multas foram aplicadas entre os anos de 2007 e 2008, antes de Lemos assumir o cargo, em abril de 2009. Elas se referiam a excesso de velocidade, uso de celular ao volante e estacionamento em local proibido.
Na sexta-feira, um dia após ser divulgado que ele teria o direito de dirigir suspenso, o gerente de Habilitação e Veículos do Detran (responsável pela emissão de multas), Carlos Roberto Rosa, havia sido exonerado do cargo.
Em nota, o ex-diretor-geral afirmou que sua permanência tornava-se "incompatível". Ele destacou o que realizou durante sua gestão e afirmou que vai recorrer de algumas multas, que diz não ter cometido. Lemos não cita a demissão de Rosa no comunicado.
(Publicado na Folha de S. Paulo)

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10/01/2010 18:45
Mensagens perigosas



As imagens impressionam. Uma câmera no interior do veículo que segue pela estrada flagra a motorista digitando uma mensagem no celular.
Duas jovens acompanhantes também aparecem entretidas com o conteúdo do texto. A distração coletiva dura pouco, mas o suficiente para o carro invadir a pista contrária e se chocar contra outro carro.
Um terceiro automóvel também se envolve na batida. Entre ferragens e vidro moído, quatro mortos. O celular está no canto. Com a tela trincada, ele ainda exibe a mensagem que nunca fora enviada.
O vídeo é uma simulação da polícia do País de Gales exibida como alerta. Alerta feito também pela Universidade Harvard (EUA), cujo estudo equipara o risco de guiar e falar ao telefone ao de dirigir embriagado --equivalente à ingestão de duas taças de vinho.
O perigo se multiplica quando o condutor resolve ler ou digitar mensagens. Nesses casos, as chances de acidente dobram para quatro vezes, aponta a Universidade de Utah (EUA). No Brasil, o uso do celular ao volante dá multa de R$ 85.
O estudo mostra que, para digitar um texto, o condutor foca o celular por intervalos de 5s.
"Em 1s, o veículo a 60 km/h percorre 17 metros", calcula André Horta, analista do Cesvi (Centro de Experimentação e Segurança Viária).
"Entretido, o condutor diminui o poder de reação em meio ao trânsito e compromete a coordenação", alerta Horta.
Para Nelson Mattos, especialista em segurança de tráfego da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), o fato de as pessoas passarem mais tempo no trânsito estimula o uso de equipamentos de entretenimento e de comunicação.
"O problema é que a pluralidade de tarefas atrapalha o ato de dirigir", afirma Mattos.
Por outro lado, cada vez mais carros são equipados com GPS, Bluetooth e entrada auxiliar para iPod, por exemplo.
De acordo com o pesquisador americano David Strayer, esses itens criam uma falsa sensação de segurança, pois não requerem o uso frequente das mãos.
A Fiat desde 2004 oferece o viva-voz para seus carros e diz que esse tipo de equipamento é um pedido dos consumidores.
"O teor da conversa potencializa a distração. Dialogar com o carona não afeta, pois ele acompanha a movimentação do trânsito e até alerta caso perceba perigo", diz Horta.
O Nationwide Mutual Insurance, uma espécie de consórcio de seguradoras americanas, entrevistou 1.506 motoristas. Desses, 8 em cada 10 assumiram que costumam usar o celular enquanto dirigem.
O curioso, no entanto, é que os adeptos que se consideram bons motoristas (98%) não acreditam no risco de combinar volante e telefone.
Metade dos entrevistados, porém, admite que quase se envolveu em acidente --usar celular ao volante é permitido em alguns Estados americanos.
Sem estudos aprofundados sobre o assunto, o governo brasileiro divulga dados genéricos. Números da Polícia Rodoviária Federal mostram que um terço dos acidentes nas estradas é motivado por algum tipo de distração do condutor.
(Publicado na Folha de S. Paulo)

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