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23/08/2010 10:48
Santa impaciência!

Um projeto obriga que jovens com menos de 18 anos do Paraná flagrados dirigindo passem por um curso de reeducação no trânsito na companhia dos pais.
A primeira turma, de dez adolescentes, começou o curso na semana passada em Curitiba. A iniciativa se estenderá a outras cidades do Estado ainda neste ano.
A fase inicial consiste em uma palestra no próprio Detran. Na segunda etapa, os jovens acompanham policiais e funcionários do órgão em blitze educativas.
Na palestra dada quinta-feira da semana passada por funcionários do Detran, os jovens convocados por intimação judicial receberam noções básicas de trânsito, entre elas a regra de tirar carteira de motorista após completar 18 anos. Também assistiram a vídeos sobre uso obrigatório do cinto de segurança, os perigos do álcool ao volante e a infração que cometeram. Os pais também participam da aula educativa e recebem informações sobre a importância de deixar as chaves longe de quem não tem idade para tirar carteira.
O plano teve origem na Vara de Adolescentes Infratores e na Promotoria de Justiça.
Mãe de um rapaz flagrado pela polícia no começo deste mês ao volante de um carro tomado sem a permissão dos pais, a comerciante Vera Lúcia da Silva Nascimento, 39, afirmou que a iniciativa mudou a mentalidade do filho.
"Ele saiu da palestra falando diferente. Antes, ele achava que dirigia bem, cumpria todas as regras, mas o que ele não entendia é que a idade dele ainda não é pra isso [dirigir]", disse.
Na audiência sobre o caso, ela contou que o pai tinha a opção de escolher entre doação de cestas básicas e trabalho comunitário para cumprir a pena. "Decidimos pelo trabalho comunitário para ele aprender a ter paciência e esperar completar 18 anos para tirar a carteira", falou.
(publicado na Folha de S. Paulo)

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30/07/2010 15:41
No banco de trás



Uma pesquisa feita pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) aponta que apenas 11,2% dos adultos que viajam no banco de trás de carros particulares na cidade de São Paulo usam o cinto de segurança. Já no banco da frente, 92,9% das pessoas utilizam o acessório.
O levantamento analisou carros particulares, táxis e ônibus da cidade de São Paulo entre o dias 6 e 23 de janeiro de 2009, nos períodos da manhã (das 7h30 às 9h30) e à tarde (das 17h às 19h). Ao todo, 11.245 automóveis foram analisados.
As regiões que apresentaram o maior índice de uso do cinto são a zona sul e a região dos Jardins (98%). Já o pior número foi registrado na zona leste, com 94,1% das pessoas usando.
Apesar do reduzido número de adultos que usam o cinto de segurança no banco de trás, esse número sobe quando são avaliadas as crianças levadas no assento traseiro, que atingem a marca de 28,4%. Apesar disso, a CET destaca que o índice ainda é muito baixo. Por causa disso, a pesquisa aponta para "a necessidade de campanhas de conscientização e intensificação da fiscalização."
Considerando apenas motoristas, a pesquisa aponta que 96,4% dos condutores de carros particulares utilizavam o cinto, contra 99% dos motoristas de táxi. Já os motoristas de ônibus que utilizavam o acessório chegam a 98%, que equivale a um aumento de 10% em relação ao número de 2008, segundo a CET.
(publicado na Folha de S. Paulo)

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23/07/2010 14:25
Tragédias anunciadas

Não sei se minha condição de estressado no trânsito veio apenas com a idade e a vivência, ou se o fato de trabalhar no Detran há sete anos contribuiu diretamente para isso. Mas a verdade é que sou daqueles motoristas à beira de um ataque de nervos, e isso é muito preocupante, porque acontece com alguém que fugiu do caos de São Paulo e está chegando perto de um colapso em Florianópolis, ainda considerada por alguns como “a ilha da magia”.
Sou daqueles que já ultrapassaram a fase de achar que campanhas educativas resolvem. Defendo em princípio o ataque voraz ao bolso do motorista irresponsável, com multas, multas e muitas multas, porque creio que a dor pecuniária é um método eficaz de educação. Em alguns casos mais graves, onde a multa parecerá inócua como um antibiótico diante de bactérias resistentes, não descarto totalmente o fuzilamento puro e simples.
É claro que defendo essas medidas radicais apenas para os casos perdidos. Ainda acho que, recebendo doses maciças de educação, cidadania e civilidade enquanto ainda crianças, os motoristas do futuro têm salvação. Os de hoje é que não têm mais jeito. O caos atual no trânsito nada mais é do que o reflexo da falta de educação, cidadania e civilidade, e isso não se aprende de uma hora para outra. O caos atual é reflexo do salve-se quem puder, porque ninguém respeita nada. A lei de trânsito não parece ter força de lei. É encarada como uma pequeno cartaz à entrada de um prédio de veraneio, proibindo que as crianças joguem bola no corredor.
O atropelamento e morte de Rafael, filho da atriz Cissa Guimarães, é apenas mais um exemplar do verdadeiro pega pra capar em que se transformou o chamado “teatro do trânsito”. Ao desrespeitar três regras básicas – entrar em área de trânsito proibido, apostar corrida em via pública e não socorrer sua vítima – o atropelante demonstrou no mínimo desrespeito básico pela vida humana, inclusive a sua própria. Com esse comportamento, essa falta intrínseca de princípios solidários e cidadãos, como esperar o respeito a uma simples lei de trânsito? Como esperar o respeito a uma simples vida? Para a desgraça acontecer, era só uma questão de marcar a data. Creio que, como esse, a maioria dos acidentes de trânsito faz parte de um rol de tragédias anunciadas.
De meu lado, por estar intimamente ligado à questão do trânsito – mais do que desejaria – confesso-me desencantado com uma provável solução para o problema que não passe por radicalismos. Não vai ser um passe de mágica que vai fazer o motorista aprender o respeito e exercer a cidadania. Não vai ser um rasgo de lucidez que vai fazê-lo comportar-se dentro da lei.
Para isso, serão necessárias medidas duras. Talvez uma lei, no estilo Maria da Penha, que privilegie a punição exemplar. Nada de cestas básicas ou serviços comunitários. Cana cerrada aos infratores e criminosos de trânsito, como no Japão. O medo da cadeia há de fazer efeito onde a educação e as multas não fizeram. E quem sabe quantas vidas não seriam poupadas...
(texto publicado originalmente no blog Fala, Zanfra!)

Marco Antonio Zanfra, jornalista

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